Ter vergonha de algumas coisas, explodir de raiva em certos momentos,
dramatizar situações ou ter atitudes egoístas esporadicamente é comum na
vida de grande parte das pessoas. O problema é quando algumas
características passam a ocorrer com frequência e em exagero. Ao
ultrapassar esta linha tênue, o diagnóstico pode ser de transtorno de
personalidade - também conhecido como sociopatia, condutopatia e
psicopatia. "Todos nós temos um pouco de tudo, o problema é a quantidade
deste distúrbio", Mania de perseguição, dificuldade em se relacionar, desrespeito
constante às normas, impulsividade, baixa tolerância a frustrações,
perfeccionismo e falta de determinação são características que, quando
em exagero, podem indicar um transtorno de personalidade. "A medida é
quando a característica começa a chamar muito a atenção dos outros.
De acordo com o psiquiatra, um indivíduo com transtorno de personalidade
tem três defeitos básicos: são altamente egoístas; não se arrependem
dos atos; têm valores morais distorcidos; gostam ou não se incomodam com
o sofrimento alheio. "Aparentemente, a pessoa é normal e lúcida, mas
tem uma conduta deformada", disse. "O problema foi descrito pela
primeira vez em 1835, como insanidade moral. (...) Ao longo dos anos, já
foi chamado de psicopatia, sociopatia, condutopatia e transtorno de
personalidade,
A deformação de conduta pode ou não se manifestar, no entanto, não
existe cura para o problema, segundo Palomba. "Existe tratamento para
controlar", afirmou o psiquiatra. De acordo com a psiquiatra e
psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise Leda Beolchi
Spessoto, o indivíduo pode ter predisposição aos transtornos, mas o
problema está ligado ao ambiente em que ele vive quando criança. "Os
traços se formam na infância, mas devem ser bem analisados na
adolescência.
O tratamento é difícil, pois, quando uma pessoa tem um transtorno de
personalidade, dificilmente assume o problema. "Se assume, não quer por
em cheque que está com o transtorno. E procurar ajuda profissional já é
um terceiro passo", afirmou Leda. Segundo ela, o tratamento da doença
comportamental fica ainda mais difícil nos casos mais graves, como dos
criminosos em série. Afirmou o psiquiatra forense Guido Palomba.
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